
O Brasil é um dos países que mais recebem investimentos financeiros no mundo. Nossa economia passa pelo melhor momento da história. Exemplo disso é que pela primeira vez nosso Produto Interno Bruto (PIB), toda riqueza gerada no País, figura na sexta posição do ranking mundial. Estamos na frente de países como Inglaterra, berço da revolução industrial, do liberalismo e antiga detentora do império onde o sol nunca se punha. Também à frente da Itália, país da alta costura e da indústria automobilística mais refinada do mundo, de marcas como Ferrari e Lamborghini.
Previsões recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam que até 2015 poderemos ultrapassar a França e tornarmos a quinta maior potência econômica do planeta. Isso não é pouca coisa, o Brasil é o país mais poderoso do Hemisfério Sul e sua importância já exerce influência global.
O Brasil recebeu volume recorde de investimentos no setor produtivo (60 bilhões de dólares) vindos de fora. Nós aparecemos entre os maiores consumidores mundiais de carros, computadores e celulares. Compramos mais automóveis do que os alemães. Nosso País vem crescendo de forma moderada, mas acima das expectativas. Nossas taxas de juros ainda são as mais altas do mundo, entretanto a nossa moeda é forte e valorizada no mercado internacional.
Já não somos mais meros exportadores de commodities e de mercadorias para exportação, como a carne bovina e a soja. Evidente que nossa economia foi favorecida pelo boom mundial nos preços de minério de ferro, aço, café, suco de laranja, soja e carne enlatada. Entretanto, vale lembrar que a terceira maior produtora mundial de jatos civis depois da Airbus e Boeing é a nossa Embraer.
As aeronaves brasileiras cortam os céus do mundo inteiro, e sem sombras de dúvida são nossas vitrines de produtos de alta tecnologia. A indústria de automóveis, aço, petroquímica, computadores, aeronaves e bens de consumo duradouros contabilizam 30,8% do PIB brasileiro.
Somos donos de variadas sofisticações tecnológicas, não nos limitamos apenas ao desenvolvimento de aeronaves. Fomos pioneiros na pesquisa de petróleo em águas profundas, de onde extraímos 73% de nossas reservas. É uma tecnologia tão sensível, que podemos compará-la à complexidade de lançar uma nave espacial à lua.
O Brasil ainda não é considerado um país desenvolvido, somos o vice-líder do grupo dos emergentes, isto é, a segunda economia mais robusta dos BRIC, sigla atribuída aos países em desenvolvimento de maior expressão ecônomica: Brasil, Rússia, Índia e China. Deste grupo, nosso PIB nominal perde apenas para o chinês.
Diante de toda essa euforia econômica, ainda temos muitos desafios e gargalos a serem superados. Temos de redefinir a nossa carga tributária, uma das maiores do mundo. Nossos empresários e empreendedores se queixam da burocracia excessiva e dos exorbitantes tributos taxados pelo Governo, que não consegue retribuir as cifras tributadas em benefícios estruturantes.
A nossa infraestrutura ainda é precária, principalmente a aeroportuária. O Brasil será sede de dois dos maiores eventos esportivos do mundo, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro (RJ), em 2016. Esses eventos em terras brasieliras levantam dúvidas sobre a capacidade hoteleira, segurança e transportes, notadamente a estrutura dos aeroportos.
Ainda persistimos no erro de concentrar em nossas precárias rodovias o transporte da maior parte de nossas produções. Temos mais de 8 mil quilômetros de costa marítima, ideal para o transporte de cabotagem. Somos ainda o único País de dimensões continentais com rede ferroviária menor do que a alemã, país do tamanho do Estado do Mato Grosso do Sul. Reconhecemos que o governo vem investindo no transporte ferroviário e podemos citar a ferrovia Norte-Sul, contudo a obra ainda não foi concluída e se arrasta por uma década sem previsões para o término.
Outro grande gargalo do país é a Educação. Aproximadamente 10% da população, ou 19 milhões de brasileiros, não sabem ler e escrever. São dados preocupantes e comprometedores. Se não investirmos pesadamente em Educação, estaremos fadados a um “gap” que nos condenará às margens do desenvolvimento do mundo nas próximas décadas. Não basta alfabetizar a população brasileira, o mais importante é a qualidade de ensino de nossas salas de aula.
Temos de fazer a lição de casa que a Coréia do Sul fez, e a China faz agora. Focar no ensino técnico e investir no desenvolvimento tecnológico, ou seja, na inovação.
Apesar de sermos a sexta economia mundial, nosso PIB per capta (o PIB total dividido pelo número de moradores), é apenas a 47° do ranking. O PIB per capta inglês é o triplo do brasileiro. Mais vexatório é a nossa posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), em que o Brasil ocupa apenas a 84º posição. O Brasil está ao menos trinta anos atrasado, em relação aos países tidos como referência, no que diz respeito a educação, renda e escolaridade.
Temos potencial e plenas condições de revertermos tal quadro assombroso. Basta seguirmos o caminho trilhado por países que viram na Educação o caminho ideal para se libertar do atraso em todos os aspectos.
Ao menos recuperamos o orgulho de sermos brasileiros. Fazemos parte de um país estimado e invejado lá fora. Antes, éramos vistos como problema, e hoje, somos a solução. Vide o recente convite proferido por Barack Obama aos brasileiros para que vistem a Disney, com facilidades para tirar o visto de entrada nos EUA.
Somos vistos como uma terra de gente acolhedora, alegre, multi étinca e cultural, pacífica e claro, do futebol mais bem jogado do mundo. Se daqui saíram os melhores jogadores, as modelos mais bem sucedidas, os pilotos da Fórmula-1 mais arrojados, porque não podemos ter os nossos Steve Jobs, Bill Gates, Trumps e Warren Buffetts?
Não vou perder nunca o sonho de viver nesta grande “nação pintada em aquarela”, descrita com ufanismo por tantos poetas. Espero que neste ano de 2012 nós, eleitores, demonstremos a nossa capacidade de escolher pessoas comprometidas com o bem social, candidatos que vão ocupar postos públicos e que já tenham um histórico de serviços prestados para a transformação do Brasil em um país melhor para se viver.
Muita luz e muita paz.
Leopoldo Veiga Jardim
Consultor Político e Diretor da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg)
























